A pergunta certa para quem quer ser feliz

As pessoas querem ter um trabalho que gostam, mas não param para pensar que, nem sempre, esse será o trabalho que as fará ganhar mais dinheiro. E aí: o que escolher?

Não dá para ter tudo na vida. Até mesmo as coisas que nos fazem muito felizes vão vir acompanhadas de algo que nos faz sofrer de alguma forma.

Se eu te perguntar hoje “Do que você precisa para ser feliz?”, você saberia responder? Aposto que muitos de vocês têm uma lista de desejos que fariam suas vidas mais felizes. Alguns diriam que seria trabalhar com algo que sentem prazer. Outros que queriam ganhar mais dinheiro para terem uma vida mas confortável ou poderem fazer o que têm vontade. Tem aqueles que queriam emagrecer, ter a bunda dura ou um abdome de tanquinho. E outros queriam fazer o que eu estou fazendo agora, viajar pelo mundo!

Não é difícil saber o que faria a nossa vida melhor e mais feliz. Mas e se eu te perguntar “Qual é a dor que você está disposto a suportar para ter o que quer?”, você saberia responder?

Por causa dessa pesquisa sobre a felicidade, eu tenho conversado com muita gente, além de estar participando de alguns grupos de discussões. E uma coisa que já me chamava atenção há algum tempo tem ficado ainda mais evidente. Muita gente não para pensar no sofrimento inevitável que vem junto com algumas escolhas, mesmo que essas visem a nossa felicidade. Mas, mais importante do que pensar na alegria de conseguir algo que se quer muito, é entender se vamos aguentar o tranco.

As pessoas querem ter um trabalho que gostam, mas não param para pensar que, nem sempre, esse será o trabalho que as fará ganhar mais dinheiro. Ou querem ter a flexibilidade de horários que só um empreendedor tem, mas não pensam em todas as incertezas, fracassos e noites de sono que ele perdeu antes de seu negócio ser bem sucedido. Ou ainda que para ganhar dinheiro talvez você precise trabalhar 60 horas por semana, engolir mais sapos do que gostaria, lidar com gente arrogante, com chefe preguiçoso e com clientes mal educados. Em todos esses casos existe uma dor e uma recompensa.

Tem sempre aquele que vai dizer: “Mas fulano ficou rico fazendo o que gosta. Por que comigo é tão difícil?”. Minha avó costumava ter um estoque de frases feitas e, embora eu achasse todas muito cafonas, essa ilustra bem essa situação: “Todo mundo sabe contar quantas pingas eu bebo, mas ninguém vê os tombos que eu levo” (Vó Francisca)

Com certeza não deve ter sido fácil para o fulano em algum momento, pode acreditar. Muito antes de eu deixar o meu emprego para fazer essa viagem, eu tinha decidido que conhecer o mundo seria minha prioridade. Por isso, passei a planejar todas as minhas férias e feriados grandes com mais de seis meses de antecedência. Assim, teria tempo não só para juntar o dinheiro, mas também para parcelar o que fosse possível.

Quando eu convidava amigos para me acompanhar, muitos não queriam ter o compromisso de planejar algo com sete ou oito meses de antecedência. Mas, e se eu mudar de emprego? E se eu arrumar um namorado? E se eu mudar de ideia? E se acontecer alguma coisa? Pois é, meu pai teve um AVC repentino e morreu em um Carnaval. Como ele passou alguns dias no hospital eu tive tempo para cancelar tudo. Quatro anos depois, por uma infeliz coincidência, minha avó também morreu no Carnaval. Mas, dessa vez, eu estava viajando… Merdas acontecem…
Além disso, também me irritava profundamente cada vez que alguém que tinha um carro três vezes mais caro do que o meu ou usava uma bolsa que custava o preço da minha viagem toda, dizia: “Nossa, um dia eu vou ficar rica como você para poder viajar desse jeito.”

Não dá para ter tudo na vida. Até mesmo as coisas que nos fazem muito felizes vão vir acompanhadas de algo que nos faz sofrer de alguma forma. Realizar um sonho significa deixar outras coisas para trás. Também significa que você tem de se sentir confortável com o sofrimento que a sua decisão vai trazer. Ou então aquilo que deveria te fazer feliz vai ser o motivo da sua infelicidade.

Há alguns anos, muitas das minhas amigas começaram a ter filhos. Foi quando eu passei a acompanhar o dilema que é conciliar carreira e maternidade. O que percebi é que para ser uma executiva de sucesso, talvez você precise abrir mão de criar seus filhos de perto e lidar com o fato de que talvez eles vão passar mais tempo com uma babá do que com você.

Assim como você tomou a decisão de abandonar tudo para criar os filhos, precisa estar confortável com a ideia de que suas amigas que continuaram trabalhando vão crescer profissionalmente enquanto você estará vendo A Galinha Pintadinha. Por isso é tão importante ter clareza de que também é preciso aprender a lidar com o tipo de sofrimento que uma decisão como essa traz sem que você fique infeliz.

O que determina a nossa felicidade é saber lidar com o sofrimento. Por isso, a pergunta certa para quem quer ser feliz é: “Você vai ser feliz enquanto estiver lidando com todo o perrengue que vai passar até realizar aquele sonho que você tanto deseja?” Essa é a pergunta que realmente importa e é ela que vai te fazer sair do lugar. Caso contrário, em vez de sonhos, você estará apenas alimentando fantasias que nunca se tornarão realidade.

Fernanda Nêute – Artigo Publicado no www.administradores.com.br

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